Qualidade de vida, espiritualidade e esperança em pessoas em hemodiálise: um olhar além dos exames

Hoje compartilho com você um trabalho que tive a honra de realizar em parceria e publicação científica, intitulado “Qualidade de vida, espiritualidade, religiosidade e esperança em pessoas com doença renal crônica em hemodiálise”.

BVS Saúde

Neste estudo, conduzido entre 2016 e 2017 no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), em Recife –PE, avaliamos 139 pessoas que vivem com insuficiência renal crônica e fazem hemodiálise. O objetivo? Entender não apenas os aspectos físicos da doença, mas investigar como a espiritualidade, a religiosidade, as crenças pessoais e a esperança influenciam a qualidade de vida dessas pessoas.

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Os resultados são inspiradores. Mesmo em meio a um contexto de fragilidade e tratamento intenso, os domínios de espiritualidade/religiosidade/crenças pessoais (81 %) e de relações sociais (75,8%) apresentaram indicadores muito positivos. Já o domínio físico (58,3 %) foi o mais vulnerável.

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Isso reforça algo que venho dizendo em minha prática: cuidar bem não é apenas tratar órgãos é acolher histórias, dar espaço para o sagrado, valorizar o vínculo e apoiar a esperança.

Como geriatra, essa evidência me toca duplamente: tanto porque trabalho com pessoas em fases da vida em que fragilidade e perdas aparecem, quanto porque vejo como a dimensão humana e espiritual pode transformar a experiência de saúde.